Psicologia

30 anos de psicologia

Seja bem-vindo ao meu blog. Aqui, quero compartilhar um pouco dessa experiência e conversar sobre Psicologia, saúde emocional, comportamento, avaliação psicológica e neuropsicológica — sempre a partir do olhar de quem acredita que, antes de qualquer diagnóstico, existe uma história que precisa ser ouvida.

22 de setembro de 20267 min de leitura
30 anos de psicologia

De Moema ao Tatuapé: 30 anos de Psicologia

Quando penso nos meus 30 anos de atendimento clínico, percebo que minha trajetória profissional foi construída muito mais por encontros, desafios e escolhas do que por um caminho previamente planejado.

Minha história começou em Moema.

No início da minha carreira, eu trabalhava principalmente com crianças, com ludoterapia e terapia psicomotora. Meu campo de atuação ainda era bastante restrito.

Eu gostava do que fazia, mas ainda não imaginava quantas possibilidades a Psicologia poderia me oferecer.

Até que um dia, o Dr. Bonifácio, psiquiatra da clínica onde eu trabalhava, me fez uma pergunta que mudou o rumo da minha carreira:

“Por que você atende só crianças? Por que não abre seu leque?”

Depois, perguntou:

“Você aplica testes psicológicos?”

Aquelas perguntas ficaram na minha cabeça.

Comecei a pensar: por que só crianças?

Aceitei o desafio.

O Dr. Bonifácio começou a me encaminhar pacientes com dependência química para avaliação psicológica. No início, foi muito difícil. Eu estava entrando em uma área nova para mim e percebi que precisava estudar muito mais.

Comecei então a fazer cursos para ampliar minha formação e me preparar para atender adolescentes e adultos.

Hoje, olhando para trás, vejo aquele momento como um dos grandes pontos de transformação da minha carreira.

Costumo dizer que o Dr. Bonifácio foi um grande anjo que apareceu na minha vida profissional.

Ele enxergou possibilidades em mim que eu ainda não tinha enxergado.

Começar não foi fácil

Naquela época, a Psicologia ainda tinha pouco espaço na sociedade em comparação com os dias atuais. Havia muito preconceito e muitas pessoas ainda tinham dificuldade de compreender o papel do psicólogo.

Eu tinha poucos pacientes.

Às vezes, um. Depois dois. Três.

Também vivíamos uma realidade profissional muito diferente da atual. A divulgação do trabalho dos psicólogos era bastante restrita pelas normas profissionais da época. Não existiam as redes sociais, os sites e toda a facilidade de comunicação que temos hoje.

Era muito mais difícil construir uma clientela.

O trabalho crescia principalmente através dos encaminhamentos, das indicações e da confiança construída ao longo do tempo.

E foi assim que comecei.

A mudança para o Tatuapé

Eu continuava trabalhando em Moema, mas minha vida também estava mudando.

Eu tinha duas crianças pequenas e precisava conciliar minha profissão com a maternidade.

Para trabalhar em Moema, muitas vezes precisava permanecer o dia inteiro por lá, chegando a ficar até a noite.

Começou a ficar difícil conciliar tudo.

Eu já estava morando mais perto do Tatuapé e percebi que poderia construir ali uma nova etapa da minha vida profissional.

Depois de aproximadamente dois anos, tomei a decisão de montar minha própria clínica no Tatuapé.

Foi assim que fui para a Rua Emílio Marengo.

E ali permaneci durante aproximadamente dez anos.

A Psicologia foi crescendo junto comigo

No Tatuapé, continuei atendendo crianças, mas meu trabalho foi se ampliando cada vez mais.

Eu sempre gostei muito da área de avaliação psicológica e dos testes.

A avaliação despertava em mim uma curiosidade especial: compreender o funcionamento de cada pessoa, investigar suas dificuldades e buscar respostas que pudessem ajudar no direcionamento do atendimento.

Foi uma área à qual fui me dedicando cada vez mais.

Nesse período, também tive a oportunidade de realizar um trabalho voluntário atendendo crianças e atuando como coordenadora da área de psicodiagnóstico.

Foi uma experiência muito importante para minha formação.

Uma profissional que estava à frente desse trabalho me ajudou muito naquele período. Ela foi uma pessoa importante na minha trajetória e, felizmente, nossa amizade permanece até hoje.

São pessoas assim que também fazem parte da nossa história profissional.

Da Emílio Marengo para a Azevedo Soares

Depois dos anos na Emílio Marengo, mudei meu consultório para a Rua Azevedo Soares, onde permaneci por aproximadamente quatro anos.

Minha atuação continuava crescendo e eu seguia cada vez mais dedicada à avaliação psicológica.

Até que surgiu uma oportunidade muito importante: conseguir adquirir minha própria sala.

Desde 2008, no Edifício Los Angeles

Foi então que cheguei à Rua Coelho Lisboa, no Edifício Los Angeles.

E é onde estou até hoje.

Desde 2008, tenho minha sala, meu consultório, o espaço onde construí mais uma parte importante da minha história profissional.

Nesse período, minha formação também continuou.

Fiz especialização em Neuropsicologia e, posteriormente, um curso no Hospital das Clínicas, voltado à avaliação forense neuropsicológica.

Minha atuação foi se ampliando e hoje realizo avaliações psicológicas, neuropsicológicas, forenses e psicossociais, além do atendimento clínico de crianças, adolescentes e adultos.

Também passei a atuar na área de saúde ocupacional, realizando avaliações psicossociais em parceria com uma empresa de medicina do trabalho, trabalho que já desenvolvo há aproximadamente sete anos.

E os pacientes também fazem parte dessa história

Uma das coisas que mais me emocionam quando penso nesses 30 anos é perceber que algumas pessoas permanecem.

Tenho pacientes adultos que estão comigo há muitos anos.

Tenho também pessoas que fizeram terapia ou passaram por algum processo de avaliação comigo no passado e que, depois de anos, retornaram.

Isso tem um significado muito especial para mim.

Porque mostra que o vínculo construído no consultório pode permanecer mesmo quando o processo termina.

A pessoa segue sua vida.

Eu sigo a minha.

E, às vezes, nossos caminhos se encontram novamente.

A Psicologia mudou

Hoje, felizmente, vejo uma realidade muito diferente daquela que encontrei no início da minha carreira.

A Psicologia cresceu.

As pessoas passaram a compreender melhor a importância da saúde mental e a valorizar mais o trabalho psicológico.

A avaliação psicológica e a neuropsicologia também ganharam espaço e reconhecimento.

É muito gratificante olhar para trás e perceber o quanto a profissão mudou.

E os meus filhos?

Existe ainda uma parte dessa história que considero muito importante.

Eu escolhi me dedicar principalmente à clínica também porque precisava conciliar minha profissão com a educação dos meus filhos.

A clínica me permitia organizar meus horários.

Eu podia trabalhar e, ao mesmo tempo, estar presente.

Eu os levava para a escola.

Ao meio-dia, muitas vezes estava lá para acompanhá-los no almoço.

Buscava na escola.

Participava da vida deles.

Na época, talvez eu não tivesse dimensão do quanto essa possibilidade seria importante.

Hoje tenho certeza de que foi uma escolha da qual não me arrependo.

Consegui construir minha carreira sem abrir mão de estar presente na infância dos meus filhos.

30 anos depois

Quando olho para trás, vejo uma profissional que começou atendendo crianças em Moema e que, aos poucos, foi descobrindo novos caminhos dentro da Psicologia.

Vejo os momentos difíceis, os poucos pacientes, as dúvidas, os cursos, as mudanças de consultório, as pessoas que me ajudaram, os profissionais que confiaram no meu trabalho e os pacientes que chegaram e permaneceram.

Vejo também tudo aquilo que construí.

Foram cinco anos em Moema e 25 anos no Tatuapé.

Trinta anos de atendimento clínico.

Trinta anos de estudo, trabalho, desafios e aprendizado.

E, principalmente, trinta anos de histórias.

Hoje posso dizer, com muita gratidão, que sou feliz pela profissão que escolhi.

A Psicologia, que no início parecia ter tão pouco espaço, tornou-se uma parte fundamental da minha vida.

E talvez uma das maiores conquistas da minha trajetória tenha sido justamente esta:

não apenas construir uma carreira, mas construir uma carreira que coubesse na vida que eu queria viver.

A história começou em Moema.

Há 25 anos, continua no Tatuapé.

E, depois de 30 anos, ainda tenho muito a aprender, muitas histórias para contar e muito trabalho pela frente.

Seja bem-vindo ao meu blog.

Aqui, quero compartilhar um pouco dessa experiência e conversar sobre Psicologia, saúde emocional, comportamento, avaliação psicológica e neuropsicológica — sempre a partir do olhar de quem acredita que, antes de qualquer diagnóstico, existe uma história que precisa ser ouvida.